terça-feira, abril 20, 2010

There it is

Pois bem. Acabou o BBB10, todos já conhecem os candidatos ao cargo de Presidente da República e o Corinthians ainda não foi eliminado da Libertadores. Não fosse o fato de eu ter conseguido um inesperado novo emprego, acredito que não teria sequer paciência de escrever aqui. Não que eu estivesse feliz com a Central Brasileira de Catálogos, mas andava enviando e-mails inúteis via Catho, coisa que não faço mais, se Joey quiser. Via indicação, o melhor Catho que existe, arrumei um trabalho no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Outro mundo: aqui, eu tenho internet no meu computador, não tenho horário determinado para fumar e recebo um salário digno. Além de, claro, trabalhar em algo que não seja passar o dia todo fazendo copy + paste e redigindo textos imbecis sobre... moda. Não que na Belas Artes não tenha curso de moda, mas, posso escrever sobre outras coisas mais interessante. O ambiente não é como o campo de concentração de outrora. Pessoas legais, engraçadas e profissionalmente felizes. É bom não ter que ouvir boatos a cada 2 dias sobre demissões em massa ou pessoas pensando em adentrar o prédio portando metralhadoras.

Mais uma coisa bacana: finalmente, vou conseguir pagar minha parte do apartamento que adquiri junto de minha futura torturadora esposa, sem ter que contar centavos no fim do mês. Isso, agora, só vai acontecer quando começarmos a comprar os móveis e fazer as reformas necessárias, ou seja... daqui uns 6 meses. Volto a ter disposição para escrever, acordar cedo, dormir tarde e bebericar durante todo o fim de semana.

Só para deixar algo aqui anotado, para os anais:

- Serra será eleito Presidente: teremos de voltar a aturar tucanos no Governo Federal. Não que eu imagine que vão piorar demais o país, mas tenho total ciência que vou me arrepender demais por ter de morar em terras nórdicas, mesmo estando abaixo da linha do Equador. O lado bom será constatar que muitos que sentem asco de uma pessoa semi-letrada pedirem a volta do molusco de Garanhuns.

- O Corinthians não será campeão da Libertadores: nem qualquer outro time brasileiro. Motivo? Está fácil demais, para todos.

- O Brasil termina a Copa 2010 em 8° lugar: porque fusca anda bem, mas não passa de 90km/h.

- Haverá mais um grande atentado terrorista, até o fim do ano: não, Obama não sairá ileso. Do cargo que ocupa, não em termos de saúde.

- Eu vou me atolar em dívidas por uns 6 anos: é.

- O Twitter vai sair de moda: NOT.

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quarta-feira, setembro 30, 2009

Majestoso

Posso dizer, com certa tranquilidade, que minha experiência dominical ficou bem próximo de um estudo antropológico. Me senti como uma lebre, isolado entre uma matilha de lobos, mas aqueles caninos não comem ninguém. Na verdade, me senti mais um agente duplo, infiltrado no QG dos opositores. Como minha namorada faz promessas e não cumpre, tomei a iniciativa que deveria ter vindo dela e a convidei para seu debut em um estádio de futebol. Não que ela nunca tivesse ido, mas shows do Aerosmith não contam como atividade tão lúdica quanto o esporte das massas.

Entrei no site da VISA, voltado para o futebol, e comprei dois ingressos: arquibancada amarela, atrás do gol. Além de serem os mais baratos, são os que ficavam mais afastados das temidas torcidas organizadas (sic). Graças a falta de tempo para me locomover até algum ponto de venda durante o expediente de trabalho, acabei tendo de comprar no setor tricolor, ou seja, eu seria a lebre, anteriormente citada.

O “Majestoso”, nome dado ao clássico São Paulo X Corinthians, sempre foi uma constante em minha vida. No começo da minha adolescência, quando o time do Morumbi era uma máquina de ganhar títulos e ainda tinha alguma conotação masculina, me lembro de ter a paciência testada por centenas de vezes pelos recém formados são paulinos, que começavam a entender que é legal tirar sarro de corinthiano porque, no fundo, todo mundo é meio maloqueiro e sofredor. Anos depois, quando tinha meus 15 anos, comecei a frequentar estádios de forma contínua, chegando ao ponto de assistir a quatro jogos em apenas um mês – e não, eu nunca fiz parte de torcida alguma, senão a do Corinthians, mesmo. Hoje em dia, assumo: eu não vejo mais 10% da graça que via antes.

Marcia, desde que a conheci, pouco mais de 18 meses atrás, sempre foi uma daquelas torcedoras que mal conhece o hino do clube, mas faz questão de provocar qualquer alma alvinegra que encontrar. Torcedora do São Paulo como a grande maioria das garotas entre 20-30 anos, ela sempre fez questão de falar em tom de superioridade quando o assunto era o seu tricolor fajuto – sim, porque Tricolor só existe um, o Fluminense. Mal sabia ela que as pessoas que mais a ajudariam na vida seriam, justamento, os arquirrivais. Fato é que seu irmão mais velho, fanático torcedor da equipe mosqueteira, passa longe de ser “favelado” ou “ladrão”, carinhoso apelido dada por ela à fiel torcida. Ajudou a garota em sua viagem ao exterior, na compra do primeiro automóvel e em outras cositas más. Já eu, ora bolas, ajudei Marcia a ser feliz e encontrar um macho de verdade (cof, cof).

Chegamos ao estádio por volta das 15h, uma hora antes do início da partida. A polícia deu boas-vindas à minha amada realizando um bloqueio na principal avenida que dá acesso ao Morumbi e, por isso, ela teve de fazer um desvio e parar o carro longe de onde planejávamos. Assim que ela desceu de seu Celta vermelho, trajando a camisa do São Paulo, o flanelinha avisou: “Olha, toma cuidado... tá cheio de corinhianos aí pelas ruas de baixo!”. Vendo o suor gelado escorrer de sua testa, me senti um beneficiado pela justiça divina.

À paisana, de camisa azul da Inglaterra, eu passaria traquilamente entre meus irmãos alvinegros, sem lavantar suspeitas que estava indo sentar em território inimigo. Já Marcia, sob um calor de fazer camelo usar sombrero, estava linda e bela, de moletom branco, calça jeans e tênis. “Ai, meu Deus, não quero apanhar!”. Até pensei em sentir pena da coitada, mas qual seria a graça? Começamos a jornada, atravessando a Estopim e Gaviões da Fiel, Pavilhão 9, Coringão Chopp. Ficamos procurando a entrada de nosso setor, e confesso que eu mesmo senti medo: o moletom dela, branco como a camisa escondida por baixo, deixava transparecer o símbolo da LG e o número 10. De certo, se percebessem, iam nos encurralar e, se tivéssemos sorte, apenas nos xingar. Passamos reto, distribuí alguns sorrisos frente aos cantos da torcida e desaparecemos.

Após pedir informações, encontramos a entrada. O sol estava insuportável, e a Marcia já parecia uma pimenta, de tão vermelha. Enfim, demos a volta pela torcida do Timão, e entramos pela rampa de acesso do portão 15, junto da manada de Bambis. O jogo em si, como se sabe, foi morno. Triste foi ver o gol de Ronaldo e permanecer calado, vendo todos aqueles rostinhos meigos tão tristes ao meu lado. Apenas coloquei a mão na boca, tentando fazer o mínimo ruído no ensurdecedor silêncio da torcida são paulina, e gritei: "Fiiiilho da puuuuutaaaaa!". A Marcia até se surpreendeu. "Você está se controlando bem, fique assim!". Salvo alguns escorregões como "Seu time joga todo errado" e "o Rogério Ceni não quis jogar por medo", o que fez alguns torcedores me olharem com reprovação, mas, me dei bem.

Patético foi constatar que algumas torcidas – não vou citar nomes -, preferem ficar a xingar uns aos outros, os jogadores e os torcedores adversários, do que apoiar o próprio time. Ver um garoto menor de idade fumando maconha e cantando feliz na arquibancada, longe da repressão policial que sentiria lá fora, me deu uma certa sensação de asco, mas se o D2 pode e ainda toca no Criança Esperança, por que ele não? No final do jogo, fomos embora quietos, suados, cansados e com uma certeza... no próximo jogo, minha namorada vai ser a presa. E ela paga, claro, porque em território burguês, o pobre já cansou de se ferrar.

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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Sangue de louco

Sexta passada, no meio da tarde, meu amigo Rangel me ligou:

- Ô, vamos doar sangue hoje?
- Hmm... vamos, por que não? Onde vamos?
- No Hospital das Clínicas!
- ...não tem lugar mais perto? Po, isso é na Zona Oeste, quase centro!
- Mas amanhã é "Dia de Corinthiano doar sangue"!
- ...e? Hoje é hoje, amanhã é amanhã.
- Mas hoje vai estar mais vazio e a campanha já está valendo! É lá que estão doando!
- Ah, cara, que besteira! Como vão saber se somos corinthianos? Como vamos saber que nosso sangue será realmente doado a corinthianos?
- Mas o sangue vai pra qualquer um!
- Até para palmeirense? Mas que porra então é essa de "dia de corinthiano doar sangue"?
- Você ganha um suco e um lanchinho depois!

Já doei sangue um par de vezes. Na primeira, foi para um amigo que estava precisando, em função de uma leucemia - que o vitimou, por sinal. Na segunda fui de livre e espontânea vontade (leia aqui - faltar no trabalho justificadamente com um atestado válido). Nas duas vezes, tive de passar pela entrevista onde fazem trapos da sua vida parecerem bandeirões de estádio.

- Você usa ou já usou drogas?
- Ahm, já sim.
- O quê (moleque maldito, corinthiano maloqueiro, marginal!)?
- Maconha...
- Só isso?
- Só!...
- E parou quando?
- Foi em 2006.
- Era viciado, então?
- Não! Po, foi uma vez, em 2006! Eu acho que era 2006, digo...
- Maconha faz isso, mesmo.
- Err...
- E sexo? Está namorando, ficando, saindo? É casado? Tem filhos?
- Oi? Ah, sim... e não... não...
- Com quantas pessoas você se relacionou nos últimos 12 meses?
- [pausa dramática de 8 segundos]... 3.
- Alguma delas era promíscua ou tinha alguma doença sexualmente transmissível?
- Tomara que não!

Enfim, você vê quem é macho de verdade em uma sala de doação de sangue. Eu mesmo vi uns marmanjos de dois metros de altura suando frio, quase desmaiando na maca e pedindo suco de manga - que por sinal era bem gostoso.

Careca fila-da-puta:
- Estende o braço e fecha a mão.
- Ok...
- Você é corinthiano, não? Veio pela campanha?
- Ah, sim, isso mesmo!
- Que bom que amanhã eu não vou vir trabalhar...
- Putz, imagino... vai estar cheio demais, aquele bando de gente junta e...
- ...não dá pra vir de relógio, carteira, tênis.
- Ha-ha-ha... é, verdade.
- Esse tênis é seu, né?

Só fiquei com pena do corpo de bombeiros que foi trabalhar no Estádio do Pacaembu no dia seguinte. Dizem que você não pode ingerir bebidas alcoolicas até 12 horas depois da doação, e a torcida ia ao hospital 2 horas antes do jogo do Corinthians. Eu assisti o jogo pela TV e não vi nenhum corpo rolando pelas escadarias do estádio, portanto, creio que a campanha tenha sido um fracasso, ou que os torcedores tenham sido sinceros demais na entrevista e sumariamente limados da doação.

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terça-feira, novembro 11, 2008

É tudo verdade

É tudo verdade

Se existem verdades absolutas, algumas já me são bem conhecidas. Uma delas diz que "para morrer, basta estar vivo". Depois de perder dois amigos daqui de onde moro em acidentes automobilísticos, foi a vez do terceiro. Este, porém, convivi por cinco anos, quase que diariamente. Predicados ao Animal não me faltam, mas isso não é local aropriado para ficar de exautações. Aquele papo de que "só valorizamos algo quando perdemos" também vale como sentença. Outra dessas frases que habitam nosso dia-a-dia, é que "se trabalho fosse bom, não te pagavam pra fazer". Pela segunda vez em 2008 estou desempregado - dessa vez, pelo argumento invencível: "Estamos cortando custos". Somando que isso tudo aconteceu em um período de apenas 7 dias (Oi, Samara! Oi, Luciana Gimenez!), eu deveria estar aos frangalhos, achando a vida uma bela espinha na ponta do nariz em véspera de baile de formatura, mas estou bem. Não sei como, mas estou. Deve ser o Fifa 09 que comprei, que me mantém sedado horas e horas por dia, ou a namorada que mesmo vendo que eu sou um daqueles pesos amarrados na perna da garota, me dá força e diz que "isso tudo vai melhorar, você vai ver!".

A única vontade que tenho agora é de virar logo a página de 2008 do calendário. Coisas ótimas me aconteceram, mas só de ver Papai Noel dançando tcha-tcha-tcha nas lojas me bate um sentimento quase que homicida. Se eu pudesse escolher, agora, estaria na guerra do Iraque, só de sacanagem, escondendo granadas sem pino na cueca dos americanos e gritando: "Ow, que horas são?". E isso não é revolta com nada . É uma bota tamanho 43 que assola o meu saco.

O Corinthians já voltou para a Série A, o namorado da minha avó conseguiu falar "estrada esburacada" sem babar na roupa, o Jair Rodrigues é presidente dos Estados Unidos e a bolsa estourou - quem vai parir o quê, ainda não sei. No final das contas, eu quero mais é whisky e água de côco. Escrever aqui é que não dá, por enquanto... minha cabeça anda ôca.

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