quinta-feira, setembro 17, 2009

A demoníaca trindade

Pode perceber: em qualquer roda de amigos, almoço de negócios ou encontro de turmas, há três assuntos que esbarram na possibilidade de virar pauta para assunto, e logo são descartados, a fim de evitar ânimos exaltados em excesso – futebol, religião e política. Eu, pelo menos, nunca tive problemas em falar sobre nenhum deles. Nem você. E esse é, justamente, o problema dos três temas: você sempre terá razão, assim como as pessoas ao seu redor. São mentiras e verdades tão absolutas e firmes quanto um prego na areia.

No que tange ao futebol, a coisa é mais prática e simples: são usados argumentos aritméticos, técnicos e históricos, como o número de conquistas, o poder aquisitivo de seu clube, a capacidade ofensiva do ataque, o último placar. Questões estéticas também são importantes – as cores de sua agremiação, o brasão – e no caso das mulheres, 85,5% São Paulinas, como é gato o Raí, Kaká, Leonardo. A razão do assunto ser pouco afável em mesas de bares, é a proximidade de garrafas e outros materiais cortantes. No trabalho, como no meu, descobrir que você é uma “ovelha negra”. Em casa, bem... em casa até não tem problema, desde que o vizinho não ouça o que você vai dizer.

Deus que me perdoe, mas eu não tenho motivo algum pra me desculpar nem com meus pais, quanto mais com “Ele”. Religião, a arma mais letal do mundo – depois da paixão, é um daqueles assuntos que você não deve citar nem mesmo em velórios. Pode ter certeza: ao seu lado, na mesma ocasião, haverá uma porção de espíritas, outra um pouco maior de evangélicos, uma grande maioria de católicos e alguns jornalistas e rockeiros ateus. Ou seja, nenhum argumento seu será tão válido quanto ele mesmo. “Fulano essa hora deve estar ao lado direito do Pai”. Por que justo ele? Por que não sua tia? Seu avô? O estuprador que foi morto na cadeia? Religião é um assunto onde não cabem argumentos, apenas regulamentos. E lembre-se: jamais, mas jamais, assuma que não conhece nem quer conhecer a luz. Diga que vai deixar para quando sua vida se tornar escura.


Enfim, o mais odiado de todos os assuntos, a política, pode ser compreendida entre o fervor religioso e o fanatismo esportivo. Perfeitamente cabível em tempos de eleições, apresenta-se como um tema ôco, onde qualquer voz ecoa. O que sê lê no jornal, é a sua opinião e sua linha de raciocínio. Já basta. Ou você vai se sentar com um copo de cerveja na mão e discutir porque o vereador eleito pela sua comunidade não reformou ainda as calçadas do bairro? E se ele fez, quem se importa? Qual a graça em uma discussão onde todos, em questão de segundos, concordam um com o outro? Legal mesmo é o corrupto, o suspeito, o analfabeto funcional, o milionário. Aquele que aposta na prática e não na teoria. Legal para ser massacrado, é claro. O vermelho, o azul e amarelo, não importa: suas críticas negativas a ele devem ser proporcionais ao cargo ocupado ou tamanho do encosto de sua cadeira. E que se dane se ele um dia disser algo absurdo e, meses depois, mostrar-se certo – ele é, sempre, um babaca.

Em outras palavras, para falar o quanto e da maneira que bem entender sobre qualquer um desses assuntos, crie um blog. Você pode deletar ou barrar comentários contrários às suas opiniões, criar e destruir personagens, julgar sem ser julgado e, claro, tornar-se referência para alguém.

E viva os 9 anos de liberdade do Acnóide!
Vão todos jogar bola no inferno, seus políticos nojentos!
zo/

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2 Comentários:

Às 17 de setembro de 2009 11:11 , Anonymous bejota disse...

aposto que toda vez que você pensa em futebol e nos rivais, o único que te remete ao santos sou eu. hahahaha
xxxxxx

 
Às 21 de setembro de 2009 17:30 , Blogger Fernanda disse...

olha, eu acho que essa história de "9 anos de Acnóide", "10 anos de Seven Elevenz" é muita farofa. Para de comemorar aniversários e volta direito com esse blog!

 

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