segunda-feira, outubro 05, 2009

Air Force One: o teco-teco

Após a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, como já é hábito na internet, pipocaram explosões de ódio, indignação e desconfiança por parte dos twitters sobre a necessidade real de tal evento em nosso país. Não fossem as belas tiradas de alguns, esse novo "Cansei" não passaria de outro falho flashmob. Porém, onde sobrevoam urubus, a carniça está presente. O problema não foi a derrocada candidatura norte-americana, apenas a título de participante. Muito menos a presença tímida e inócua do comitê japonês. A grande catástofre nacional, dizem muitos, foi o poder da imagem do presidente brasileiro na decisão do COI.

Já é fato conhecido por 186 países do globo terrestre que o Brasil deixou de ser, desde 2001, apenas um coadjuvante no cenário internacional. Fernando Henrique, as privatizações e o Plano Real; Lula, o bolsa família, Prouni e o fim da tortura vinda do FMI. Soma-se a isso, os investimentos - poucos, ainda -, em infraestrutura para a tríade Jogos Panamericanos, Copa 2014 e Olimpíadas 2016. De onde virá o dinheiro? Dos cofres públicos, para essas duas últimas, é evidente. O grande problema parece ser... onde está o problema nisso?

Como disse, redento, Ricardo Boechat: "Não é porque irá se injetar R$ 26 bilhões em algo desse tipo que não podemos, ao mesmo tempo, continuar a investir em saúde, educação e segurança pública". Acostumados ao açoite, parte dos urubus bicavam as próprias patas enquanto os diplomatas e representantes brasileiros se banhavam em lágrimas, glória e satisfação, na Dinamarca. A retórica de que somos um país subdesenvolvido ainda é válida, mas não mais a de que "não podemos nos equiparar aos europeus e americanos". Nossa marolinha, motivo de piada e agressões durante 8 meses, foi mesmo apenas uma ondinha de praia monótona. Enquanto alguns se chafurdavam na lama dos cofres mundiais, espanávamos a poeira debaixo dos colchões recheados de dólares e aguardávamos a bonanza que, enfim, dá as caras.

O nosso maior problema - anotem isso em seus bookmarks, por favor - é que nosso governante mór é um analfabeto funcional, que ficou 15 anos sem trabalhar* porque perdeu um dedo inútil, e que desfez 8 das 10 promessas que fazia nos tempos de oposição. Pelo bem ou pelo mal, deu certo. E isso sim, dá muita raiva em quem batalhou tanto para ser reconhecido na vida como qualquer outra ave de bico longo e torto, que não um urubu.

Mas, graças aos poderes da democracia falha do nosso Brasil, Lula se vai, em breve. Agora, poderemos (sic) cobrar de nossos governantes, justamente tudo aquilo que temíamos: seriedade. Porque essa história de utilizar neologismos nos discursos, ser boa praça com líderes mundiais e, mesmo assim, ainda ter 71% de aprovação do governo, é coisa pra gente moderna demais.

Que venha a Copa, que venham os jogos! Que a roubalheira e os desvios de verbas, assim como os superfaruramentos sejam controlados pelo distinto, letrado e mal encarado José Serra e seus amigos de penas. Porque, agora sim: a oposição vai poder cobrar deles, o que sempre foi cobrada por Mainardis, Alckmins e outros - clareza e honestidade.

E, por favor, palmas para o presidente.
*conheço um outro alguém que é idolatrado por milhões, por uns 2000 anos, sem nunca ter trabalhado e ter levado todo mundo no papo.

3 Comentários:

Às 8 de outubro de 2009 00:44 , Blogger Sra. Prozac disse...

ta foda-se as olimpíadas, eu preciso de um emprego, urgente!

 
Às 16 de outubro de 2009 15:25 , Anonymous bejota disse...

esse cara que você menciona no final do ano é o barbudo nazareno? hahaha
xxxxxx

 
Às 27 de outubro de 2009 20:19 , Blogger Artur Palma disse...

Na verdade, caro lagomorfo, concordo com várias coisas do seu texto. Mas vale lembrar que o partido hoje no poder sempre foi o primeiro a pedir clareza, logo ele não está dando o exemplo para o Sr. Burns e cia...

Por isso, Chitóvan Buarque para presidente! Esse sim vai cuidar da educação! hahahaha

 

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